Category Archives: conversas de mulheres dos 30

Um novo recomeço… também aqui no blog!

Regressar aqui…

Precisei deste tempo. Sem palavras escritas. Nem mesmo ditas.

Houve um tempo –  até há não muito tempo – em que eu nao acreditava no amor. No amor descomplicado – mesmo que seja sempre complicado. No amor sem  que o esperemos – mesmo que na verdade continuemos à espera.

Sabem a música da Mariza? “Melhor de mim”?

 

É um novo recomeço…

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Também aqui no blog!

 

“Rien de grave” de Justine Lévy

Continuo a ler em francês. No formato “livro de bolso”. E estou absolutamente viciada. “Rien de grave” foi o meu último livro. 

  

Reencontrei-me em Louise. Ou nas palavras de Lévy.

  
“Amar não quer dizer que nos parecemos. Amar não quer dizer sermos iguais, comportarmo-nos como gémeos, que acreditamos inseperáveis. Amar é não ter medo de se separar ou de deixar de amar. Amar é aceitar a queda, sozinho, e de se levantar, sozinho. Eu não sabia o que é amar, tenho a impressão de que hoje sei um pouco mais.”

 
   
E eu estou farta, ao mesmo tempo, de ter atenção. Estou farta da miopia, da surdez, do mutismo. Mas estou farta, também, de estar fechada em mim mesma com todos estes sentimentos que fiz prescrever, todas estas palavras que eu nunca mais quero dizer, antes morrer que dizê-las, digo a mim própria, o ferro-velho de palavras usadas que outrora serviram, é como o meu coração, e o meu corpo, eles também usados de ocasião, eles também amaram, sofreram e depois? Eu não me vou reencarnar por isso, nem transformar-me na essência de uma outra, elas estão aqui, estas palavras, de qualquer forma elas estão na minha cabeça, na minha garganta, Pablo bebe-as quando me beija, ele compreende-as mesmo que eu as detenha dentro de mim, acreditas no quê, idiota? Acreditas mesmo que eu não as ouço, essas palavras de amor que tu não me dizes? Claro que é ele que tem razão. Sinto vergonha, e sinto vergonha de ter vergonha. Tenho vergonha de as pensar, as palavras, e ainda mais vergonha por não conseguir dizê-las. Estou farta deste frio em mim. Farta de nunca sentir o quente ou a dor. Farta de passar ao lado da vida, da felicidade, da tristeza, das pessoas, dos desafios, da morre. Merda para a falsa vida. Merda para o negro, o silêncio, a anestesia, os gatos, os jeans. Ele tem razão, Pablo. É preciso parar de não viver. Parar de não chorar. Parar a retenção de lágrimas, assim vou ficar com celulite na cara, à força. Parar de ter medo de estar viva. 

(…)

Parar o amor sublime, os amantes belos e nobres e perfeitos. De manhã temos má cara, temos mau hálito, é assim, é preciso aceitar, é assim a vida.

Quando a conversa é sobre eles…

Sabem aquelas amizades de infância?

Aquelas amigas da primária. Com quem compararam o número do soutien. Conversaram sobre os primeiros namoricos. Ouviram as primeiras músicas – “os new kids on the block” :). Os jogos bate-pé ou quarto escuro. As dicas nos testes. As primeiras saídas…

Pois bem… Ontem, enquanto estávamos em amena cavaqueira no Facetime, reparámos que estamos a chegar a uma nova idade. Ai os 40 aí tão perto!

“-Amiga, aos 20 apresentamos o moço dizendo em que Faculdade anda, que música é que gosta de ouvir, que bares é que frequenta! aos 30 dizemos o que é que faz, se mora sozinho e se é de confiança. Agora é quantos filhos tem, a idade, há quanto tempo se separou, deixou ou foi deixado, está ou não resolvido…”

E quando não é assim! E surge aquele “Ahm!?! não tem filhos nem nunca viveu com ninguém?!” A conclusão é quase imediata: “Amiga esquece! Esse tipo tem problemas!!!”

A bagagem que trazemos faz de nós o que somos! Ainda bem. Significa que vivemos!

Tenho estado a ler um livro fantástico. “Les Perroquets de la place d´Arezzo” de Eric-Emmanuel Schmitt. Deixo-vos com uma frase que me roubou uma gargalhada:

“-Vive les épouses et vive les putes! Ce sont les seules femmes qui se contrôlent”.

(dito por um homem, naturalmente!).

E era isto!

Elas são mais eficientes do que eles!

Sabem aquele momento em que passam o dia em frente ao computador a trabalhar em coisas diferentes… todas urgentes? E que no meio existem emails. E que pensam “devo escrever Dr. ou não antes do nome?”. E enviam o email (com Dr., pelo sim pelo não!) E a resposta demora pouco mais de 30 min a chegar, com palavras simpaticas e motivadoras. E agradecem. Com um “looking forward to meeting you”. E que depois disto tudo decidem colocar o nome no google… e percebem que andaram a trocar estes emails informais com uma senhora que tem mais de 300 publicações cientificas e a quem gostariam de pedir um autografo!

Comentei com a minha chefe. Que me respondeu: “Estas a ver! As mulheres são eficientes! Um homem na posição dela iria demorar, no minino, dois dias a responder!”

Bom… Não é por acaso que eu me dou bem com a minha chefe! Partilhamos opinião em muitos dominios!

Elas são (de longe) mais eficientes do que eles! Menos caganças! Mais trabalho!

 

Mas porque é que os homens acham sempre que são mais espertos?

Sabem aquele momento em que recebem uma mensagem de um nome que vos é familiar, com quem não falam frequentemente e que diz:

“Hi Paula, I am sorry, BUT no internet. I m in Denmark, to see rainbow. Bj”

Hum. Parece normal, certo? Mas não! Eu traduzo:

“Hi Paula” – é a primeira vez que me trata pelo meu nome, normalmente prefere adjectivos.

“I am sorry, BUT no internet” – mas esta a desculpar-se de quê? eu nem o tentei contactar!

“I’m in Denmark” – Ah… ok!!! Agora começo a perceber!! Denmark é onde vive a namorada que ele diz ser a ex-namorada. Ok! Portanto, voltando ao principio, o que eu devo ler nesta mensagem é que o moço esta com a namorada, pelo que não pode receber mensagens.

“to see rainbow” – quem muito se justifica… ja a minha avo dizia! Rainbow é o cão! Eu quero la saber por que motivo é que ele foi à Dinamarca!

Mas porque é que os homens acham sempre que são mais espertos?

Sera que não era mais facil suspender as notificações do telefone ou dizer, simplesmente, “não me contactes!”.