“Vanessa vai à luta” no Teatro da Trindade. A não perder.

Lisboa continua a ser a cidade que sinto melhor conhecer. E curiosamente, desde que estou em França – e que mergulhei na cultura francesa -, (re)descubro uma Lisboa queirosiana muito francesa, que fazem do Chiado uma fusão cultural que muito aprecio. 

Ontem fomos ao Trindade. Assistir ao “Vanessa vai à luta”. Uma peça com muito humor sobre os papéis de género. Eu fui uma maria rapaz. A Beatriz é uma maria princesa. Reconheci-me na “Vanessa”. É bem verdade que cheguei a pensar “mas porque é que não nasci rapaz?” – ninguém me ofereceu pistas de carros telecomandados… só bonecas (Estou a ser exagerada neste plural). Rimo-nos imenso. A minha mãe, eu e a Beatriz. Três gerações de mulheres. O meu passado e o meu futuro genético. 

Com tristeza constato que o Teatro continua a ser um programa elitista em Portugal. Em jeito irónico comentei que a Beatriz se deveria chamar Beatriz Francisca, para não destoar do público. Tantos foram os João Bernardos, Vicente Marias ou Fredericas que ouvi. Por muito que Lisboa se diga um destino ao nível de Paris, Londres ou Barcelona falta-lhe ainda muito para estar a esse nível. Os bistrots, as padarias, as champanheiras e outros afins são modas que não passam disso. Espaços vintage inspirados noutras moradas que se dizem portugueses por colocar a loiça Bordalo Pinheiro (ou uma imitação baratucha) ou os poemas de Fernando Pessoa nas paredes. Falta programação cultural. Falta educar para a cultura. É difícil levar as pessoas ao Teatro. Levem o Teatro aos cinemas, por exemplo. Penso num cinema em Paris que ao domingo de manhã passa clássicos da disney a preto e branco acompanhados por piano. As crianças adoram e os adultos também. As salas de cinema dos shoppings de Lisboa poderiam propor alternativas culturais. Eles têm o público. Basta ser atractivo o suficiente para o seduzir. 

Ontem a Beatriz queria ir ao cinema. Porque as amigas também íam. Eu decidi que iríamos ao Teatro. De início ela não gostou da ideia. Mas por fim adorou. 

Seguiu-se a Bertrand. E um livro que espero que não vá esquecer: “as mulherzinhas”. 


Um bom domingo.

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