Arranjinhos de internet: “as tuas feromonas estão muito baixas”

Place Rosseti. Nice. Sábado à noite. Restaurante cheio. Corrijo. Esplanada do restaurante cheia.

O empregado – casado – (saliento esta parte porque o moço insitiu olhar para mim com o mesmo ar que eu olhei para a aliança dele com 1 cm de espessura) conduziu-nos a uma mesa pertinho de um casal.

Sentámo-nos.

Foi impossível não ouvir a conversa do lado.

Ele: – Recebes muitas mensagens? Assim a dizer que és uma tentação e que querem ter sexo (não foi bem esta a expressão usada) contigo? Eu faço-te estas perguntas porque pronto,… depois que nós começámos a falar eu não falei com mais ninguém.

A minha amiga, que tem o mesmo defeito de profissão do que eu – leia-se observa tudo – olhou para mim e um olhar foi suficiente para nos começarmos a rir:  internet made!

A conversa continuou.

Ela: Não. Às vezes recebo uma ou outra mensagem. Mas não é nada de importante.

Ele aparentava ter uns 45 anos. Um personagem estranho. A começar pelo colar de conchas apertado ao pescoço – horrível , a camisa cor-de-rosa género Springfield, as calças caqui e os sapatos da missa de domingo – Ah, e sem esquecer o gel no cabelo grisalho e os óculos versão demodé mas sem ser vintage – só falta de gosto, mesmo!

Ela. Talvez tivesse a mesma idade. Unhas das mãos e dos pés de gel (ou gelinho ou porcelana, desculpem-me mas não sei a diferença). A pele hiper muito reluzente – (tenho a certeza que tinha passado o dia na esteticista a tirar todos os pelinhos – pormenores femininos, adiante). Um vestido curto, mas sem ser vulgar. Mas que a tornava ainda mais robusta, diria assim.

Falaram do que gostam e não gostam. Do que procuram e do que querem evitar. Para nós, espectadoras, as conclusões eram simples:

1. Ele estava cheio de vontade de terminar a noite na cama dela.

2. Ela estava a apanhar uma seca monumental, a pensar “que estúpida que fui em ter dado trela a este anormal”.

A conversa entre os dois continua.

Ele: As tuas mãos parecem de uma miúda de 15 anos. É impressionante.

Ela: Obrigada. Olha as tuas feromonas estão muito baixas!

(tive de me controlar para não dar uma gargalhada.)

Ele não percebeu. “Ainda por cima é burro!” deve ter pensado a senhora. Ela a tentar dizer-lhe que as feromonas dele estão tão baixas que ela não sente nenhuma atracção por ele e ele deve ter achado que cheirava bem!

No final do jantar ele pagou a conta e convidou-a para tomar um copo.

Ela: Não. Já é tarde…  (Eu preciso a hora: 23h, sábado à noite, festa da música, hum… que vontadinha de não voltar a ver o tipo!) Além disso tenho de ir apanhar o autocarro. Depois não consigo ir para casa.

Por esta altura eu já estava com pena da senhora. Tanto investimento de beauté para regressar a casa de autocarro – epá ninguém merece! E o tipo nem disse vou levar-te ou coisa do género. O mais provável é não ter carro… Pois!

Quando se levantaram percebi que ele lhe chegava às orelhas. E não tinham nada a ver um com outro. Nem de aspecto, nem de expressão corporal, nem de nada!

Not easy to find THE ONE!

 

6 responses to “Arranjinhos de internet: “as tuas feromonas estão muito baixas”

  1. pergunta científica: o que tem o cérebro das mulheres, para detectar tantos pormenores (que escapam aos homens) ?
    é que… a observaçao das mulheres é nítida que o raio x, ahahah

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  2. queria dizer: é Mais nítida que o raio x, 🙂

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  3. Querida amiga, apenas peço um esclarecimento. Feromonas ou testosterona?

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  4. ENTREVISTA COM UM MÉDICO TIBETANO: LAMA TULKU LOBSANG RINPOCHE
    Quando um paciente chega para consulta, como o senhor sabe qual o problema?
    R – Olhando como ele se move, sua postura, seu olhar. Não é necessário que fale nem explique o que se passa. Um doutor de medicina tibetana experiente sabe do que sofre o paciente a 10 m de distância.
    Mas o senhor também verifica seus pulsos.
    R – Assim obtenho a informação que necessito sobre a saúde do paciente. Com a leitura do ritmo dos pulsos é possível diagnosticar cerca de 95% das enfermidades, inclusive psicológicas. A informação dada por eles é precisa como um computador. Para lê-los, é necessária muita experiência.

    E depois, como realiza a cura?
    R – Com as mãos, o olhar e preparados de plantas e minerais.
    Segundo a medicina tibetana, qual é a origem das doenças?
    R – Nossa ignorância.

    Então, perdoe a minha, mas o que entende por ignorância?
    R – Não saber que não sabe. Não ver com clareza. Quando vemos com clareza, não temos que pensar. Quando não vemos claramente, colocamos o pensamento para funcionar. E, quanto mais pensamos, mais ignorantes somos, mais confusão criamos.

    Como posso ser menos ignorante?
    R – Vou ensinar um método muito simples: praticando a compaixão. É a maneira mais fácil de reduzir os pensamentos. E o amor. Se amamos alguém de verdade, se não o queremos só para nós, aumentamos a compaixão.
    Que problemas percebe no Ocidente?
    R – O medo. O medo é o assassino do coração humano.
    Porquê?
    R – Porque, com medo, é impossível ser feliz e fazer felizes os outros.
    Como enfrentar o medo?
    R – Com aceitação. O medo é resistência ao desconhecido.

    Como médico, em que parte do corpo vê mais problemas?
    R – Na coluna, na parte baixa da coluna: as pessoas permanecem sentadas tempo demais na mesma posição. Com isso, se tornam rígidas demais.
    Temos muitos problemas.
    R: Acreditamos ter muitos problemas, mas, na realidade, nosso problema é que não os temos.

    O que isso quer dizer?
    R – Que nos acostumamos a ter nossas necessidades básicas satisfeitas, de modo que qualquer pequena contrariedade nos parece um problema. Então, ativamos a mente e começamos a dar voltas e mais voltas sem conseguir solucioná-la.
    Alguma recomendação?
    R – Se o problema tem solução, já não é um problema. Se não tem, também não.
    E para o estresse?
    R – Para evitá-lo, é melhor estar louco.
    ???
    R – É uma piada. Mas não tão piada assim. Eu me refiro a ser ou parecer normal por fora e, por dentro, estar louco: é a melhor maneira de viver.
    Que relação o senhor tem com sua mente?
    R – Sou uma pessoa normal, penso o tempo todo. Mas tenho a mente treinada. Isso quer dizer que não sigo meus pensamentos. Eles vêm, mas não afetam nem minha mente, nem meu coração.
    O senhor ri muito?
    R – Quando alguém ri nos abre seu coração. Se você não abre seu coração, é impossível entender o humor. Quando rimos, tudo fica claro. Essa é a linguagem mais poderosa que nos conecta uns aos outros diretamente.
    O senhor acaba de lançar um CD de mantras com base eletrônica, para o público ocidental.
    R – A música, os mantras e a energia do corpo são a mesma coisa. Como o riso, a música é um grande canal para nos conectar com o outro. Por meio dela, podemos nos abrir e nos transformar: assim, usamos a música em nossa tradição.

    O que gostaria de ser quando ficar mais velho?
    R: Gostaria de estar preparado para a morte.

    E mais nada?
    R – O resto não importa. A morte é o mais importante da vida. Creio que já estou preparado. Mas, antes da morte, devemos nos ocupar da vida. Cada momento é único. Se damos sentido à nossa vida, chegamos à morte com paz interior.

    Aqui vivemos de costas para a morte.
    R: Vocês mantêm a morte em segredo. Até que chegará um dia em sua vida em que já não será um segredo: não será possível escondê-la.

    E qual o sentido da vida?
    R – A vida tem sentido e não tem. Depende de quem você é. Se você realmente vive sua vida, então a vida tem sentido. Todos têm vida, mas nem todos a vivem. Todos temos direito a sermos felizes, mas temos que exercer esse direito. De contrário, a vida não tem sentido.

    Bom fim de semana 🙂

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