A mochila da minha filha tem 20% do seu peso: 7,5Kg! Tem mesmo de ser assim?

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Frequentei a escola pública desde a instrução primária até à obtenção do grau de doutor. Considero que a educação é o alicerce maior do projecto de um País. Penso que nos cabe, a nós, cidadãos, alertar para o que não deveria, NUNCA, acontecer.

A minha filha, nascida em 2004, ingressou, este ano, numa escola pública do 2º e 3º ciclos do ensino básico. Hoje, depois de organizar a mochila para o dia de amanhã, não pude deixar de verificar o seu peso: 7,5 Kg! Representa 20,3% do seu peso, já que tem 37 Kg e 1´43m. O problema torna-se ainda mais grave quando a escola não dispõe de cacifos para todos os alunos – segundo fui informada existirá um sorteio de 10 cacifos por turma -, mesmo que alguns pais (eu inclusivé) se tenham disponibilizado para oferecer módulos de cacifos à escola. Significa, por isso, que no período de tempo em que não deixa a mochila na sala de aula – horas de almoço e alguns intervalos, por exemplo, a tem às costas. Imagino que os 30 minutos que passa na fila do refeitório, se torne um verdadeiro martírio. Imaginem-se a vós, com 20% do vosso peso às costas, numa fila, durante igual período de tempo!

Será que não é possível fazer nada para mudar isto?

Algumas sugestões:

1. Gestão dos livros. Será que um livro por mesa (partilha entre os dois colegas) não é suficiente? E já agora, percamos o hábito de escrever nos manuais escolares – o caderno diário serve para isso. [é uma vergonha o Estado não ter um banco de reutilização de manuais – Ah, os lobbies das editoras! – em França os pais pagam uma caução de 80€ no início do ano, que recuperam quando, no final do ano, entregam os manuais à escola.]

2. Os professores precisam mesmo de usar o manual escolar e o livro de exercícios em todas as aulas? Com melhor organização poderiam advertir os alunos quando necessitam de manual ou caderno de exercícios.

3. A organização dos materiais de estudo é muito importante. Mas é, também, crucial relembrar os professores de que, se além do caderno diário, manual escolar, livro de exercícios,… é importante ter o portefólio para colocar as fotócopias… são mais umas centenas de gramas na mochila.

4. A existência, obrigatória, de um cacifo por aluno. Tal como se exige que tenha uma cadeira e uma mesa. Porque os tempos mudam e, honestamente, prefiro pagar 50 ou 100€ para contribuir para um cacifo do que, mais tarde, corrigir problemas de coluna vertebral da minha filha. Alguns de vós dirão “No meu tempo não existiam cacifos!” Pois não, mas também não existiam manuais de educação visual, educação física, educação musical, livros de leitura, livros de exercícios…

Mais. Mochilas com rodas não são solução. O acesso às salas obriga a subir escadas, pelo que o transporte tem de ser às costas.

Acredito que todos – pais, professores e políticos – desejamos o melhor para as nossas crianças.

Façamos, então, por isso!

13 responses to “A mochila da minha filha tem 20% do seu peso: 7,5Kg! Tem mesmo de ser assim?

  1. É um exagero… mochila com 8kg, foi o que levei para 15 dias de férias, e não equivale a 20% do meu peso. Enfim, é uma estupidez, já não basta a tendência para a população ter problemas de coluna, como ainda a antecipam. Mochilas com rodas também fazem mal, devemos sempre empurrar e nunca puxar. Estão aí umas boas sugestões.

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  2. Coitadas das criancas. De facto os pais devem-se preocupar, pois além de absurdo.é prejudicial à saude das criancas.
    Em vez das habituais discussoes e propostas, que raramente resultam, que tal, comecarem por colocar a escola em tribunal por atentado à saude dos alunos ? Com uma decisao do tribunal, tudo muda.

    .

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  3. Sou professor de matemática e ciências naturais e concordo quase na totalidade com as suas observações. Sim, quando leciono ambas as disciplinas ao 5º e 6º ano, com os materiais de matemática, a caderneta, livros extra… É horrível!!!!
    De facto, tal como diz, considero que um livro por mesa é suficiente. O mesmo se aplica ao escrever nos livros: sou terminantemente contra! Comigo tudo é resolvido no caderno. Assim, e para os alunos com menores recursos económicos, estes são “reutilizados” para o estudo: -“o prof. propôs a resolução das tarefas 1 a 4. Vou tentar fazê-las de novo e depois corrijo-as com o meu caderno,”Sempre fui, Escusado será dizer que me dá uma coisa má quando vejo um livro ou caderno dobrados, Apenas o ponto 2 me leva a discordar de si, relativamente a matemática, face às especificidades da disciplina. Mas,… já trabalhei com um livro tão desajustado às minhas turmas que dizia os dias em que o não deviam levar pois iria projetar tarefas de ampliação de um outro. Não entendo como determinados manuais são publicados.
    A questão dos cacifos, normalmente está relacionada com atos de vandalismo. Escolas há, onde nem nós temos cacifo. Eles existem. Mas para os “móveis da casa”! 😉

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    • Obrigada Paulo, pelo seu comentário. Fui professora durante vários anos, naquela que por vezes relembro como “a minha outra vida”. Dei aulas de Biologia e Geologia nos últimos ) anos em que leccionei. Costumava ter 2 blocos de aulas teóricas – 1 manual por carteira, 1 bloco de aplicação pratica, exercícios – (ou actividades experimentais, quando possivel). Neste ultimo bloco, os alunos traziam o livro de actividades ou faziam exercícios que eu fotocopiava (com fundo de copias por eles pago, claro :)). Achava (e continuo a achar) um escândalo os alunos pagarem 300€ por manuais. Que, mesmo utilizando toda e qualquer “pinderiquisse” (leia-se papel brilhante, ilustrações com muitos pixeis, e tretas do género), conseguem ter erros. Pensei que a crise pudesse fazer repensar a questão dos manuais e outros materiais escolares, mas não. Sempre achei que um quadro preto, giz e uma boa organização de conteúdos chega. Depois ha que aplicar conteúdos. Fazer exercícios. Ler livros. Visitar museus. E, sobretudo, ter a curiosidade de aprender. Mas ficamo-nos pelos manuais hiper muito caros, com alunos adormecidos e passivos na sala de aula. E há quem pense que antes assim do que insubordinados… É pena !

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      • Concordo plenamente. Então nas aulas de Ciências naturais,… pessoalmente não sinto falta de um manual. Então agora que tão fácil é cedermos/partilhar os materiais em formato digital! Mesmo matemática. Se considerarmos um manual péssimo, como aquele que referi no comentário anterior… Já o Pi, por exemplo, manual que existe para todo o básico e secundário, aconselho os alunos a comprarem e guardar como compêndios matemáticos.
        O preço destes é sem sombra de dúvida exorbitante! Atualmente, as editoras, somente nos oferecem o manual adotado na escola onde exercemos funções, depois de verificarem se já o fizeram anteriormente. Na formação de base, fui ensinado a ter em conta o custo do manual como critério para a adoção do mesmo. Porém, muito raramente o vi na prática. Os erros constantes e permanentes, já para não falar nos científicos são inconcebíveis!!! Dado o meu pai ter cancro, encontro-me destacado, e pelo 2º ano consecutivo estou a prestar assessoria aos professores e alunos do 4º ano, na área de matemática. Tão pouco tempo e já dois erros: um exercício com 3 modas, quando tal nem no 2º CEB é falado e o conceito de percentagem errado (sempre dado como fração quando é uma razão de consequente 100). Recordo as minhas aulas em Manteigas. Nunca lecionei apenas o que constava no programa. Muitas aulas de campo, formações dos engenheiros do PNSE dirigidas aos alunos (era eu o coordenador do PROSEPE), … os alunos do 5º respondiam a perguntas do ano em que a matéria era aprofundada (normalmente 7º ano) e os do 6º à do 8º (agora 9º). O mesmo aconteceu em Trancoso. Reclamações de pais, nenhumas! Negativas: 3 a 6 por ano. Tudo isto para reiterar as suas palavras. Sim, sem dúvida que com elas concordo. Aplicam-se a um 2º CEB porque os pré-adolescentes, entre os 9 e os 12, são esponjas sedentas de saber.

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