10 livros que li… Um desafio no facebook

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A L. lançou-me um desafio no facebook. Seleccionar 10 livros que tenha gostado de ler. Não existe uma ordem – gosto de todos, por razões diferentes. Decidi responder ao seu desafio aqui no agoradigoeu. Deixo-vos links para opiniões de outros bloggers. Talvez um dia venha a escrever, um pouco mais, sobre cada um destes livros.

Aqui vai:

1. “A insustentável leveza do ser” de Milan Kundera (por me ter marcado muito, na altura em que o li) – li todos os seus outros livros. Em nenhum outro encontrei a mesma profundidade de escrita.

2. “O erro de Descartes” de António Damásio – foi (também) por ter lido este livro, em 1997, que me apaixonei pelas neurociências.

3.“Fernão Capelo Gaivota” de Richard Bach – por ser um livro (aparentemente) simples, sobre o sonho e a liberdade de ser.

4. “O amor nos tempos de Cólera” como todos os outros do Gabriel Garcia Márquez. Ainda não os li todos, mas em todos os que li, senti a maturidade da escrita – com todos os aromas das suas palavras. Acho que é isso. Ler GGM é um apelo às sensações mais primitivas – na memória dos cheiros, mesmo que por vezes, sejamos tentados a lembrar odores que nunca cheirámos.

5. “O Principezinho” de Saint-Exupéry. Por ter sido uma declaração de amor durante a adolescência. Por ter sido uma partilha de amor com a minha filha. Por ter descoberto sempre mais, a cada vez que o li.

6. “Paulade Isabel Allende. Foi o primeiro que li dela. Poderia ter sugerido outros, porque gosto muito. Transpiram força. Feminismo. E condição humana. Na sua essência.

7. “As velas ardem até ao fim” de Sándor Márai. É um dos livros mais bem escritos que já li. e sobre o qual já escrevi aqui.

8. Estalinegrado de Antony Beevor entre outras edições documentais da Bertrand sobre a guerra fria. Fascina-me compreender a psicologia das massas. De que modo um líder guia o seu povo a acreditar na guerra. O papel dos media. Descobri neste livro o discurso de Hitler para justificar o avanço das suas tropas sobre a ex-união soviética. Li-o antes de 2001. E reconheci as palavras de Hitler no discurso de Bush, para justificar entrada no Iraque e Afeganistão. Percebi que a formula “vamos invadir porque nos estão a atacar” justifica as maiores atrocidades, até hoje cometidas.

9. “Sob os Telhados de Paris de Henry Miller, pelo erotismo (quase pornografia). Muito melhor que o famoso “sombras de Grey” – na minha opinião.

10. O que o dia deve à noite de Yasmina Khadra. Um romance que me fez sentir órfã dos seus personagens, quando terminei de o ler.

11 responses to “10 livros que li… Um desafio no facebook

  1. 8. “Estalinegrado” muito bom 🙂
    Quem me ajudou a perceber as mudanças da sociedade e do mundo foi o Alvin Toffler, desde que li, percebi as mudanças que se avisinhavam e até as que se operam consequentemente em cada um de nós.
    Alvin Toffler é um dos maiores « futuristas » vivos, uma vez que as previsões que fez em « Choque do futuro » (1970) e sobretudo na « 3ª Vaga » (1980) onde previu uma sociedade informatizada, quando os computadores eram de tamanho monstruoso e de grande dificuldade a operar. Neste livro, ele analisa a evolução do mundo e das sociedades por vagas, sendo a “Primeira Vaga” a da agricultura e do trabalho braçal, a segunda é a revolução industrial, as fábricas e a produção massiva, na 3ª é a era da informação, uma nova era computorizada que vai revolucionar e mudar tudo e todos. Em 1990 com « Os novos poderes » Tofffler explica a revolução/mudança em curso e como serão as sociedades do futuro. Prevê, o que estamos hoje a fazer, isto é, a comunicar à distância com o mundo inteiro, quando ainda não havia internet! (parece que ele foi dos primeiros a comunicar por este meio nos anos 60, nos EUA). Previu que a aceleração da comunicação iria provocar grandes mudanças, no que ele resume, no futuro não haverá esquerda nem direita, haverá pessoas rápidas e pessoas lentas! Daqui infere que haverá apenas 2 tipos de países, os rápidos e os lentos!
    É caso para perguntar, será que os nossos governantes o leram?
    P.S. – Consta-se que as Universidades chinesas pegaram na “3ª Vaga” e nas teorias do Toffler e passaram a ser estudadas. Será que foi isso que provocou as mudanças na China?

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    • Não li nada dele, mas deixaste-me curiosa para ler. Obrigada pelos teus comentários sempre inteligentes. Eu coloco a errata por ti sugerida “avizinhavam”. Não posso editar os comentários, mas os erros ortográficos, quando não recorrentes, tornam-se, apenas – na minha opinião – faltas de atenção. E eu tenho algumas, também :). Beijinhos

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      • é dos “voisins” e do “voisinage” 🙂 grrrrrrrrrr

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      • Esqueci-me de referir que ele explicou a deslocalizaçao das empresas para a China e India, e disse:
        – os EUA sao a maior superpotência e continuarao a sê-lo, porque eles sozinhos investem mais na investigaçao cientifica que o resto do mundo!
        Ou seja, os EUA passaram a ser um Pais essencialmente “cerebral” e os outros fabricam o que eles inventam!
        Pelos cortes que fizeram em Portugal, deduzo que nao leram o Toffler !
        beijinhos

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  2. PP o melhor é corrigir o “avisinhavam” eheheh, 🙂

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  3. Muito obrigado pela referência 🙂 grandes obras aqui referidas! Boas leituras

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  4. ah, os 10 livros que me marcaram!!!! isso é, uma impossibilidade, se é para indicar títulos e autores. É, mesmo.!!!! Te dou a “minha”, pessoalíssima e intransmissível, lista:
    1º- Aquele livro de plástico, que a minha mãe punha na banheira e eu via flutuar.
    2º- O livro que se abria, de uma maneira mágica, e ficava volumétrico, com castelos a sairem das páginas e dragões a cuspir papel de fogo.
    3º- Aquele outro que, estava em branco e tinha “casinhas”, com fotos antigas de famílias muito grandes de bébés espantados com olhos ainda maiores do que as famílias; tinha que atribuír cada bébé a uma família e senti-me Deus.
    4º- O livro onde o meu pai escrevi o que eu comera durante o dia, e eu entregava à minha mãe à noite.
    5º- também o outro, que a minha mãe escrevia para o meu pai, a dizer como eu tinha passado a semana.
    6º- O enorme livro que tinha todos os países do mundo, em plano, que me me fez muita confusão, porque eu sabia que a Terra era redonda , então como podiam achatá -la assim ???
    7º- O primeiro livro em que percebi que sabia ler. Mesmo! Compreender que os carateres tinham um significado e falavam comigo.
    8º- Também o primeiro livro que dei a ler. Escrito por mim. Todo ele pontinhos e vírgulas para dizer que amava e não tinha palavras.
    9º- O livro que, eu e o meu pai, forrámos, juntos. Como se o papel à volta, o tornasse vestido, e secreto a todos os olhares curiosos, e fosse mais nosso, mais meu. Hábito que mantenho até hoje, em qualquer livro.
    10º- Por fim… o livro que talvez escreva. E que ando a soletrar durante toda a minha vida .

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  5. Fui procurar uma resenha de um livro de Isabel Allende no Google e me deparei com seu blog. Aí, do nada, vi um post em que você menciona Kundera (este post, risos) e fiquei 😮 porque ele é meu escritor preferido da vida.

    Gostei daqui.

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