Uma outra análise dos resultados do Concurso Acesso Ensino Superior 2014.

Hoje foram publicados os resultados da 1ª Fase de Colocação do Acesso ao Ensino Superior. O curso de Medicina figura o topo da lista. Existe uma vasta lista de cursos que não atraíram candidatos. É também grande a lista de cursos que preencheram menos de 50% das vagas.

Tenho pena que a análise não vá um pouco mais longe. Há cursos com médias elevadas de que ninguém fala. E é possível que sejam estes, os casos de sucesso – com fórmulas de sucesso. Refiro-me, por exemplo, ao curso de Design da Universidade de Aveiro (com uma média de 167,2), Engenharia Aeroespacial do Instituto Superior Técnico (com uma média de 180,0), O curso de Ciências de Comunicação, da Universidade Nova de Lisboa (com uma média de 167,5), entre outros. Fico curiosa sempre que um curso de uma determinada Universidade se distancia dos seus pares. Significa que mais do que o nome do curso, é a estratégia da Instituição e os seus agentes (leia-se professores) que contribuem para a diferença. Para mim são esses os exemplos que vale a pena conhecer!

Quanto ao curso de Medicina. Olhei para os resultados desde 2011. O número de vagas no continente não sofreu alteração desde então e é de 1440 (excluí a oferta da Madeira por estar restrita ao ciclo de formação básica). Em 2011 todos os cursos de Medicina registaram uma média de colocação superior a 180 pontos, tendo a média global sido de 183,4. Desde 2011 a 2014 as médias decresceram em todas as Faculdades de Medicina. As médias gerais foram, por ano, 2012 – 181,4; 2013 – 177,8; 2014 – 177,3. Este ano apenas duas Faculdades registaram média superior a 180 pontos, ambas da Universidade do Porto. Mesmo que Medicina continue a figurar no topo dos cursos mais desejados, o facto de não existir uma preferência clara por Instituição, de existir uma redução monótona nas médias de acesso, a baixa de natalidade e consequentemente diminuição de população, e o desajuste entre o elevado número de vagas e preenchimento dos quadros de saúde públicos, leva-me a pensar que ser médico deixará de significar o que, socialmente, tem significado até aqui. tenhamos memória com o que aconteceu com os cursos de Ciências Farmacêuticas ou Enfermagem. Não me admiraria que em 2020 as médias de Medicina estejam nos 150/160 pontos. Talvez seja o momento de discutir o número de vagas. Para o bem de todos. 295 estudantes de Medicina num Hospital Universitário não é fácil de gerir. Quero acreditar que isso não prejudica a sua formação. Mas acredito que tudo se passaria melhor com  menos alunos…

Vale a pena pensar nisto! Boa sorte aos novos caloiros. Façam diferente.

3 responses to “Uma outra análise dos resultados do Concurso Acesso Ensino Superior 2014.

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  2. As lições que o Futebol deu ao ensino superior. (1° parte)
    Li num jornal que o despedimento do técnico Paulo Bento da selecção de futebol, custaria 3 milhões de euros, pois tem um contrato de 2 anos com a federação, o que significa que o rapaz ganha 1,5 M euros/ano, mais prémios obviamente. Bom, eu não fico admirado com esta informação, pois ela reflecte apenas um “mercado”, que é, o mundo do futebol. Digo apenas o seguinte, mas os nossos dirigentes e Reitores de Universidades não aprendem nada com isto?
    Antigamente, eram poucos os alunos que se inscreviam num instituto para serem profs. de ginástica, talvez alguns amadores do desporto, nem havia a chamada “ciência da educação física e desporto”, apesar de os gregos a terem posto em prática há cerca de 2.500 anos. Agora, temos várias licenciaturas e até temos a Faculdade de Motricidade Humana. Wauuuu !
    Neste contexto, eu diria que foi a Ciência que mais evoluiu em Portugal e que obteve um enorme sucesso no mundo da profissionalização do desporto e em especial no Futebol. Não falo apenas dos técnicos de treino, treinadores, etc., mas de todo um mundo de especialistas desde fisioterapeutas, massagistas, especialistas em recuperação física, etc., etc.
    Na minha opinião e talvez pouca gente saiba, estamos extremamente bem vistos a nível internacional nesta área e os nossos especialistas são requisitados por esse mundo fora. Excelente!
    Então, eu aproveito para perguntar, porque andam a falhar as saídas profissionais nas outras Ciências?

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  3. Projectar o futuro (2° parte)
    Num mundo que se transforma, a alta velocidade, tudo se complica quando se pretende prever as necessidades Futuras de uma NOVA sociedade, a qual é difícil de imaginar/projectar. Este é o grande desafio actual e infelizmente parece-me que é aqui que continuamos a falhar. As previsões foram baseadas na sociedade que temos e não naquela que seremos daqui a 20 anos. E este é o problema do nosso ensino e dos nossos alunos, ou seja, de todos nós enquanto sociedade/Estado.
    Cursos engraçados… como engenharia física, claro que muito importante para o nosso futuro, mas que não serve para nada neste País. Essa da engenharia aeroespacial do IST, também é gira. Enfim, como diz o outro, em Portugal também há e também temos (para não ficarmos psicologicamente afectados e atrás dos outros…).
    O que mais me irrita nos nossos governantes é a falta de coerência com as suas próprias teorias. Uma vez que impera a teoria economicista, que é baseada na relação preço/qualidade, na competitividade e noutras tretas, podiam pelo menos ser coerentes e determinarem o seguinte:
    – livre acesso ao ensino superior a todos os portugueses;
    – cada curso e cada universidade devia publicitar quanto custa o dito curso na sua globalidade, vamos supor 120.000 euros por 4 anos;
    – quando o novo licenciado terminasse o curso, ser-lhe-ia apresentada a conta da formação que teria que pagar ao longo de 20 anos (sem juros, lololol).
    Se os licenciados/doutores emigrassem, os seus empregadores teriam que pagar a cláusula de rescisão ou então amortizarem o dito investimento em X anos (questão a negociar entre as partes).

    Em resumo e de forma global, é pegar no ensino superior e transformá-lo numa actividade de alto valor acrescentado, que ao primar pela altíssima qualidade, se imporia por esse mundo fora no mercado de trabalho altamente especializado. Tal como se faz actualmente no futebol !

    P.S. – O mundo do futebol, evoluiu de tal maneira, que já está prevista (há muito tempo) a indeminização de formação, aos clubes que formaram o jovem futebolista, quando este é transferido de clube.

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