O Medo.

O coração que bate depressa. As pernas que tremem. O nó na garganta. A insónia. O medo. O medo. O medo. Porra, o medo! O medo bloqueia. O medo atrasa. E é estranhamente o medo que me ensina o valor da vida.

Tenho medo por mim. Tenho, sobretudo, medo pelos que precisam de mim. Tenho medos pequenos. E tenho outros grandes. Medos parvos. Medos sérios. São os meus!

Sinto que me julgam forte. Não gosto de queixumes, de dramas e fraquezas. Ninguém me ensinou a falar sobre os medos. E mesmo quando em criança, tinha pesadelos, eram tão descabidos que não falava sobre eles. Durante muito tempo sonhei que o meu quarto era atacado por macacos. Muitos. Penduravam-se nas janelas e na porta. Faziam aqueles barulhos que os macacos fazem. E não é que me fizessem mal. Mas eu tinha medo de ser raptada por macacos. Sonhava comigo mesma. Agarrada à cama, imóvel, a olhar para os macacos. E a ouvi-los. Imaginando o que diziam. Acordava. E tinha medo de voltar a adormecer. Fazia algum sentido contar este pesadelo? Não tive medo de o contar. Mas tive vergonha, pelo ridículo.

Acredito em energias. Que pensamentos positivos trazem coisas boas. Que mesquinhices, invejas e vinganças trazem coisas más. Acredito que mais do que lutar para não ter medo, é mais fácil aprender a viver com os nossos medos. É aquela pedra que temos de carregar na mochila. Que nos relembra que somos massa e que temos peso.

Costumo dizer que ser Mãe significou passar a ter medo.  Mas significou, também, passar a ter incomparavelmente mais força.

As fraquezas estão lá. Mas tornam-se mais pequenas se não lhes dermos muita importância. Nem sempre é fácil. Às vezes é mesmo impossível. Eu alguma vez consigo ficar estática quando uma vespa está à minha volta? É que nem pensar. “Se estiveres quieta ela não te pica!” O tanas! É ver-me correr. De cm e meio de insecto. Mas vá! Cada um com os seus medos, sim!

10 responses to “O Medo.

  1. Gostei muito deste post. Até porque identifico-me um pouco. Digamos que quando era pequena acho que nao tinha tantos medos de como agora, (in)felizmente a informação que recolho é em demasia as vezes para mim, ainda mais sendo investigadora como tu (posso tratar por tu?) passei a ter um pouco com a “mania das doenças”. A unica coisa que ficou quando era pequena foi o medo de ver filmes de terror nao vale a pena (vi quando tinha 12 anos o Boneco Diabolico e para mim bastou…)

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    • Claro que me podes tratar por tu :)! Obrigada pelo teu comentário. É giro seres também investigadora. Estou sem sono – efeito das ferias e horários trocados. E estava a pensar nos medos. Foi por isso que escrevi. Ate breve! Tenho que me obrigar a dormir / amanha é dia de trabalho – não estou triste, é mais ao contrario, estou em pulgas para fazer umas experiências 🙂

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  2. 🙂 Encontrei o teu blog numa pesquisa no google sobre portugueses no estrangeiro. Gosto de ler sobre as peripécias dos portugueses noutros cantos do mundo e assim fico ainda mais entusiasmada e espero ter a mesma “sorte” um dia de sair de Portugal.
    Quando se tratar de fazer o que gostamos, parecemos umas criancinhas no regresso a escola (mas neste caso regresso ao lab) 🙂 Bom trabalho para amanhã!

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  3. somos tão isto ! …
    bora lá enfrentar a semana sem medos!
    🙂 um beijo

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  4. sem medo oq ue seriamos? Sobreviveríamos?

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  5. Tu, com medos? Hummmmm…. 🙂

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    • 🙂 Assim não vale Zé… já me deves ter visto a fugir de vespas, isso ou estar em apuros – leia-se “cagadinha de medo” – a chamar professores quando os meus alunos desmaiam (devia ter escrito no passado, mas pronto!). Um beijinho e bom início de ano!

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