Há dois anos, quando iniciei o blog, tinha um saco cheio de medos e outro com muitas incertezas.

Hoje recebi uma notificação da wordpress. “Happy Anniversary”. Há dois anos que escrevo aqui no agoradigoeu. Por vezes gosto de reler posts antigos. Reviver momentos. Porque escrever é também uma memória em caracteres.

Há dois anos, quando iniciei o blog, tinha um saco cheio de medos e outro com muitas incertezas.

Hoje tenho a certeza, de que Lisboa é a cidade mais bonita para se viver. Que gostaria de viver num apartamento de 2 quartos, sem elevador, com vista para o Tejo. Lá para os lados de Santos… até Algés. Com janelas amplas para deixar entrar a luz quente de final de tarde. Que gostaria de estar próximo do passeio marítimo. das esplanadas. do rio. de uma escola para a Beatriz. de comércio local. Que viveria sem carro… a bicicleta é muito mais fácil de estacionar. Que gostaria de voltar aos pequenos almoços na Gulbenkian, aos almoços tardios do Museu de Arte Antiga ou aos brunchs no CCB. Aos sumos naturais do À Margem, ao frango do churrasco em Belém, às bifanas no pão… Sinto Lisboa assim. Por imagens e sabores. Poderia viver sem baguetes. Dificilmente encontraria bons croissants. E ficaria contente cada vez que recebesse o “Le Point” na caixa do correio. Continuaria fiel à Visão. Mesmo que me dissessem que a Sábado tem melhores artigos. E, por certo, reclamaria todas as vezes que o inverno fosse muito inverno, e o verão pouco verão.

Mas… há sempre um mas… Persiste em mim uma outra certeza! A memória da precaridade profissional, a ausência de perspectivas…

Pior do que sair de Portugal uma vez. É regressar para, passados 2 ou 3 anos, ter de voltar a sair. É por isso que não me sinto motivada para voltar. Até porque Portugal vive de modas. Depois de alguns anos a falar-se de empreendedores, descobriram-se os excelentes. Excelentes para aqui. Excelentes para ali. E sobre isto não vou dizer muito mais. Apenas que a ciência em Portugal está numa fase complicada. Perdida algures entre as avaliações das instituições e concursos altamente competitivos para lugares de 2 a 5 anos. Sem perspectivas de renovação ou vinculação.

Sinto que não vou ficar muito mais tempo pela Côte d´Azur, ou pelo menos em Nice. Sempre senti este capítulo da minha vida como uma vírgula. Os objectivos a que me propus estão a pouco tempo de se concretizar. Talvez mais um ano. Dois, no máximo. Permanece em aberto o próximo destino. Marselha. Grenoble. Paris… Ou quem sabe Londres. Está tudo em aberto… Muito dificilmente será Lisboa… Mas nunca se sabe as voltas que a vida dá!

O agoradigoeu continuará a ser a memória das vírgulas da minha vida. As palavras dos meus dedos, que os silêncios dos meus dias querem contar.

Obrigada por estarem desse lado. Este blog tem sido importante nesta minha aventura.

Até breve!

Fernando Pessoa

(de Fernando Pessoa – um presente da T. que mantenho comigo há dois anos.)

 

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