Ainda com as mãos a tremer… Depois de uma aterragem abortada!

Nice. Acabei de aterrar em Nice. Há quem diga que o medo de andar de avião passa com o tempo. No meu caso acho que é o contrário. No início não tinha medo. Nem borboletas no ventre. Nem coisa alguma. As viagens sucessivas têm feito com que o capítulo aeroporto / avião se torne cada vez mais um parágrafo a abreviar.
Hoje, já sentada no avião, enviei um whatsapp a uma amiga: “a TOC esta outra vez ao meu lado. Coça a cabeça e tem movimentos estranhos. O piloto fala inglês como se fosse italiano. Isto vai ser lindo”. Lembrei-me do que tinha escrito. Ainda de coração na boca num exercício de respiração como aquele que fiz durante o parto da Beatriz. Inspira. Expira. Não sei quanto tempo foi. Desculpem-me a confusão. Ainda estou sob efeito da adrenalina. Eu explico. O vôo decorreu na normalidade. Alguma turbulência. Nada de muito anormal. Até ao momento de aterrar. O avião fez-se à pista. Com uma oscilação anormal nas asas. Trem de aterragem ok. Redução de velocidade ok. Mas no momento em que ja estávamos quase sobre a pista, uma rajada de vento fez abanar o avião. O comandante acelerou ao máximo. E abortou a aterragem. Levantou o avião com uma inclinação que me fez sentir com a cabeça a tocar no tecto. As pessoas começaram a gritar. Outros a vomitar. E a mocinha de serviço diz, em determinada altura, que o comandante dará informações sobre o sucedido em momento oportuno. Dirigiu-se para Sul – leia-se mar. Por muito estúpido que possa parecer, passaram-me muitas coisas pela cabeça. Tive medo de deixar órfã a minha filha. Tive medo.
O comandante explicou que iria voltar a tentar aterrar. Não garantia que o mesmo não voltasse a acontecer. Recomendou-nos posição de segurança – Que eu nunca pensei ter de vir a usar. Fez-se um silêncio que perturba mais do que os gritos de outrora. As oscilações. Outra vez. A TOC que não controla o nervosismo – epá tinha que estar ao lado de uma maluca, numa situação destas, pensei.
Quando sentimos as rodas no chão houve um verdadeiro momento de felicidade – aplausos, gritos e felicitações ao comandante. Basicamente com o feeling ” já nos safámos!!”
Só volto a andar de avião dia 4 de Setembro 🙂 A Zurich vou de carro!

Ate breve!

One response to “Ainda com as mãos a tremer… Depois de uma aterragem abortada!

  1. Paula, belo texto e, tento perceber esse teu medo (como o de muitas outras pessoas).
    Eu adoro andar de avião (inclusive, estive com isto na minha cabeça vários anos e acabei por não tentar ir para piloto – hoje, estou arrependido).
    Só fico nervoso antes de passar o check-in. Assim que avisto o avião e passo os seguranças, fico fascinado. lolol….. é algo que adoro.
    E temos que ver dois pontos muito importantes:
    – Estamos mais seguros no ar do que em estrada (as estatísticas confirmam-no);
    – É muito mais confortável.

    No primeiro ponto, é claro, que se o avião tiver algum problema grave, já sabemos o nosso possível destino. lolol… Mas, como tudo na vida, continuo a preferir o avião ao carro. 😀

    Beijinhos

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