Por esta ordem. Lisboa, Paris e Atenas. Em sete dias. Pouco mais.

Por esta ordem. Lisboa, Paris e Atenas. Em sete dias. Pouco mais. Um café sem pressa na esplanada Piazza del Mar, à beira Tejo. Um passeio de bicicleta de Denfert  ao Lac Daumesnil, numa Paris de Monet. E depois… Atenas!

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Aeroporto. Metro. Syntagma. Foi nesta estação de metro que ascendi à superficie  de Atenas. Em frente ao Parlamento. Na Praça onde ao longo dos últimos anos se têm multiplicado as manifestações contra as medidas de austeridade. Olhei em redor. Os taxis amarelos como em Nova Iorque. O McDonald´s na esquina, como em qualquer capital europeia. Um vendedor de pão, como em Marrocos. Trânsito. Motards sem capacete. Polícias com tempo. Com todo o tempo, porque o exercício da autoridade parece ser uma coisa diferente, daquela que conheço a ocidente. Sigo o instinto. Que me leva à rua das lojas, sem trânsito. Sinto-me perplexa. Com os caratzes. Os graffitis. A sujidade. A falta de dignidade de uma capital que parece ter baixado os braços. As sombras do que um dia foi comércio multiplicam-se. Ao lado dos que ainda tentam abrir as portas. As mensagens anti-europa estão por todo o lado. Juntam-se aos desabafos de um povo que se considera vítima. Que apaga todos os sinais de trânsito com tags, transformando Atenas num imenso labirinto sem rei nem ordem. “É o berço da Europa. É o berço da Europa.” digo entre-dentes enquanto me pasmo por tamanha desordem. Sinto-me no Norte de África. Muito mais do que na Europa. As ruas estreitas. As casas brancas. Inacabadas. Abandonadas. Decadentes. Que se amontoam. Procuro a Acrópole como procuro o Tejo em Lisboa ou a Torre Eiffel em Paris. Impossível. As ruas são labirintos.

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Comida. A cozinha grega tem o mesmo sabor da portuguesa. Disso já sabia. Bem como da simpatia dos gregos. É diferente da nossa. Não são servis. Pelo contrário. Transportam com eles a convicção de que são o berço da Europa e a origem de grande parte do que sabemos hoje, nos diferentes domínios do conhecimento. O melhor azeite. O melhor queijo. As melhores azeitonas. A melhor carne. O melhor peixe. E com sorrisos se ganham sorrisos. Gostam que lhes perguntemos da sua história. Dos tempos áureos. Dos deuses. Dos templos. A conversa muda quando lhes pergunto por que motivo existem graffitis por todo o lado. Esse é um assunto deles!

Acrópole. Os turistas são consideravelmente menos dos que encontrei Paris ou em Lisboa. Sinto o peso da História. Existem trabalhos a decorrer. Penso na Sagrada Família de Barcelona. “Aqui também devem estar sempre em trabalhos”, penso. Aqui e ali ouço as explicações dos grupos organizados. Questiono como a grandiosidade das antigas civilizações pode contrastar com aqueles que na modernidade as ocupam. Penso no Egipto. No quanto tenho adiado a minha viagem ao Egipto.

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Saio de Atenas. Ao encontro do mar. Do azul turquesa. O horizonte rouba-me os pensamentos. Porque a vertigem das águas é mais forte. E é quente. E é transparente. Não há barcos. Nem outras pessoas. Nem casas. Nem ruínas. Nem graffitis. Há o que de mais bonito conheci na Grécia. O mar e a sua costa.

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O trabalho. Agora poderia escrever sobre ciência. Mas não seria a mesma coisa. 🙂

Até breve!

3 responses to “Por esta ordem. Lisboa, Paris e Atenas. Em sete dias. Pouco mais.

  1. Berço da cultura europeia, é um banho de cultura e das suas origens.
    Localizada na fronteira com os otomanos e por eles ocupada, a Grécia é hoje uma mistura de culturas e viveres.
    Merece uma estadia longa, desde a Macedónia às ilhas dos mares Egeu e Adriático. Velejar entre essas ilhas numa água transparente, muitas abandonadas e com um aviso nas praias “cuidado com os burros”, foi o que mais me encantou nessas terras.

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    • Ola Carlos, muito obrigada pelo comentario. O mar foi, também a mim, o que mais me encantou. Fiquei com a sensação de que so é possivel manter aquele estado “selvagem” porque não existe o turismo e/ou interesses economicos tão desenvolvidos a ocidente. Fiquei com a sensação de que os gregos quiseram chamara a atenção dos que os visitam para a sua situação economica, mas ao tornarem-se vitimas de decisões europeias e não se questionando nas suas decisões acabam por perder a solidariedade dos restantes membros da Comunidade Europeia. Em Portugal existe muita gentedescontente com os politicos portugueses e com as suas politicas, mas a opinião sobre a ideia de uma europa unida mantem-se na generalidade dos testemunhos que ou lendo/ouvindo.

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